Catch as catch can

24 de fevereiro de 2011

Fran Papaterra

Para vocês verem como a comunicação instantânea é superficial, quase não merece o nome de comunicação, esclareço que iniciei este debate afirmando que tenho dificuldade de frequentar o Facebook e acabei sendo visto como um inimigo da internet.

Inicio este texto afirmando que vivi, sei lá, 45 anos sem internet e adorei a novidade. Não sou daquelas pessoas que se autodefinem como “quem tem dificuldades com botões”.

Escrevi “autodefinem” junto porque pesquisei no dicionário on line as regras de hifenação que, de tanto mudarem, não sei mais. Estou escrevendo em um blog. A substituição da carta pelo email é uma maravilha.

Vivi anos em escritório com “Comunicados Internos”, para quem não viveu, um pedaço de papel com o logo da empresa no topo e em seguida um “de:” onde você punha seu nome e abaixo um “para:” onde você punha o nome do destinatário. Mais abaixo havia pré-escrito (aqui cabe hífen) “c.c:” onde você escrevia o nome de quem queria que também lesse.

Este documento era colocado na caixa de saída de sua mesa, que era literalmente uma caixa de madeira que se prendia à sua caixa de entrada por duas hastes que permitiam que elas ficassem uma sobre a outra com uma diferença de alguns centímetros de altura e outros centímetros de defasagem horizontal. Isto permitia a entrada e saída de papéis em ambas. Um office boy interno (isto mesmo: um Office boy interno) passava regularmente pelas mesas e recolhia os Comunicados Internos. Se havia nomes após o “c.c:”, ele ia à copiadora e copiava os papéis na quantidade exigida. Seu memorando era enviado para uma Central de Distribuição (sim existia uma Central de Distribuição de memorandos internos) e classificados, na mão, por ordem de “para” e de “c.c”.  Sabe-se lá quando depois o office boy recolhia os Comunicados Internos já classificados por destinatário e ia colocando os respectivos nas respectivas caixas de entrada. Dois ou três dias para este processo todo era considerado excelente. Como reclamar do email?

E o email com anexo? Eu faço canções, mas não sei tocar bem o suficiente nenhum instrumento. Gravo voz e violão em um MP3, escrevo um email dizendo como imagino o arranjo e envio, o email e o arquivo de MP3 em anexo, a um grande músico meu amigo. Ele faz o arranjo, envia para outros músicos do mesmo jeito e alguns dias depois eu recebo minha canção toda gravada pela internet. No fim de semana vou a um estúdio gravo a voz e vou tomar uma cerveja com meu amigo músico. Este processo demoraria meses sem a internet. Acho que nem aconteceria.

OK? Nada contra a internet, pelo contrário, muito a favor. Agora, o Facebook me parece pura perda de tempo. Deve haver exceções, mas por favor, não justifiquemos a perda de tempo com o Facebook com exceções. Se a internet nos deu tempo para enviar emails em segundos ao invés de dias com o Comunicado Interno, nos permitiu gravar canções remotamente e super rápido, aproveitemos o tempo para tomar uma cerveja com o amigo músico e não para postar coisas como a que recebi hoje e só abri para ter elementos para este post: uma luta de catch as cath can acho que na Argentina na qual um lutador gordo dá uma voadora em um anãozinho vestido de macaco.

Não é de se estranhar que risada na Facebook seja rs ou he he he. Isto não é risada!

 

Augusto Pinto

O propósito (um deles) deste blog é mostrar que toda opinião merece ser respeitada e que todo fato na maioria das vezes tem, no mínimo, duas interpretações  diferentes. Daí a pegada polêmica que eu e o Fran procuramos dar em nossos posts… a ideia é essa mesma.

Mas, agora que o Fran explicou mais detalhadamente o que pensa acerca da Internet e das Redes Sociais, ele “me puxou o tapete” da polêmica. Ou seja, considerados os considerandos do Fran, eu concordo com ele. Também acho o Facebook irrelevante, particularmente pela maneira como a maioria de nós o utiliza: para divulgar non sense entre seus amigos, para pedir ajuda no Farmville, para distribuir fotinhos interessantes (para que envia), exprimir pensamentos e opiniões, etc.

Vale recordar como e para quê o Facebook nasceu: para aproximar os calouros universitários de seus colegas mais seniores (principalmente das meninas), ou seja uma rede de relacionamento fechada. O Facebook nasceu assim, irrelevante, e continua assim, na maioria das vezes.

Porém, sempre é possível tornar úteis até mesmo as coisas mais improváveis. Por exemplo, os penicos abaixo forma utilizados de uma forma criativa e talvez até cheirosa (não conheço as flores plantadas neles).

Eu mesmo, consegui utilizar o Facebook para turbinar meu outro blog (Chega Mais). Através da divulgação no Facebook (o nome técnico desta ação é seeding) eu levei a audiência de meu blog de nada para algo acima de 500 views/dia (665 anteontem). Nesse sentido, para mim o Facebook foi útil.

No mundo corporativo, o Facebook tem sido utilizado com sucesso de muitas maneiras. Olhe esse post que sugere 32 usos corporativos possíveis. Por exemplo:

  • Crie uma Fan Page para divulgar sua empresa ou produto.
  • Use o FB como marketplace.
  • Junte-se a uma rede de interesses profissionais (Facebook alumni groups). h
  • Descubra experts.
  • Use os updates para chamar a atenção sobre coisas interessantes para o público: artigos no seu blog, ou outro qualquer, vídeos no YouTube, apresentações no SlideShare, etc.
  • Se acostume a fazer business updates (cuidado apenas com o “jabá”, procurando sempre pensar na relevância para o público).
  • Etc.

Convencidos? E aí, Fran, vai encarar?

 

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