Interagindo com seu público

Augusto Pinto

Qual a diferença entre interagir e socializar? Parece igual, mas é bem diferente. Em se tratando do relacionamento e da comunicação entre uma empresa e seu público, a interação antecede a socialização.

Na verdade, esse processo no mundo corporativo não difere muito de seu equivalente entre pessoas físicas. Quando alguém chega numa balada (isso me conta meu filho, pois eu ainda sou do tempo do “bate coxa”) não sai atirando, antes estuda o ambiente, toma alguma coisa para esquentar, escolhe seu alvo e, aí sim, cai de boca. Na verdade, denominações à parte, não é muito diferente dos pegas de minha juventude.

A interação entre pessoas, ou entre empresas e públicos, cresce com o mesmo fermento: empatia. No mundo corporativo o que gera empatia é comunhão de interesses. Assim, se uma empresa se posiciona nas redes sociais, antes de interagir deve monitorar os conteúdos sendo postados. Entendendo os interesses explícitos e implícitos, começa a postar conteúdos de valor no seu canal-eixo (ex.: seu blog), nos canais de agregação (Facebook, Orkut, LinkedIn, etc) e nos canais de atração (Twitter, YouTube, Flickr, etc). Já falei desses canais num post anterior sobre o Processo de Comunicação.

Cada post feito gera reações: passamos a ser acompanhados, pedem nossa amizade (Facebook), nossas tuitadas são retuitadas, comentários são gerados, favoritações feitas, nossos posts são colocados como links em outras páginas, etc. Nós temos que ler e decodificar as reações do público. Essas reações nos dão pistas para iniciar a interação.

Existem vários tipos de interações, algumas explícitas, outras mais sutis. Podemos produzir mais conteúdo na mesma linha daquilo que tem melhor aceitação, responder aos comentários, explicar conceitos mal entendidos, convidar para um debate, aceitar convites, etc,. Tudo isso é um esquenta para a socialização. No tempo dos bailinhos a gente dava uns beijinhos antes que convidar a mina para uma voltinha em nosso possante Fusca.

Uma vez que a interação esquenta e que nosso público começa a aumentar e a reagir mais rápida e enfaticamente a nossos posts, chegou a hora de socializar. E aí, o que fazemos? Isso é uma outra história, que merece um outro post.

Fran Papaterra

Gosto de uma palavra citada pelo Augusto, empatia. Fui ao dicionário. Li ela é sinônimo de “capacidade de compreender emocionalmente”. Detalhe a não ser desprezado: emocionalmente. Já simpatia, entre outras definições, recebe a de “pessoa que costuma ser agradável”. Então, quem tem empatia compreende emocionalmente e quem tem simpatia avalia como agradável a pessoa com quem se relaciona. Uso estas duas palavras para aprofundar as reflexões de meu parceiro Augusto. Adiciono mais uma: indiferença.

Adicionei a palavra indiferença porque escutei de um amigo a constatação de que o contrário de amor não é ódio, é indiferença. Assim, podemos criar uma escala que começa com indiferença, pode passar para empatia, pode ir para simpatia e pode desaguar em amor. Deixo, para simplificar, para os filósofos, sociólogos e sexólogos a busca da linha que divide simpatia e amor.

Uma vez, durante uma reunião de briefing com um alto executivo de uma empresa cujo logotipo tem um boneco, eu disse que minha filha, na época no começo da adolescência, achava aquele bonequinho fofinho. O sujeito só faltou soltar rojões. Disse que era exatamente o que a estratégia de marketing queria: que adolescentes julgassem aquela marca fofa. No diminutivo, fofinho, era mais do que o desejado.

A marca não era indiferente à minha filha, já havia ultrapassado a condição de uma mera empatia, era fofa, era simpática, era, me perdoem os sexólogos, amada. Marcas almejam adjetivos positivos atribuídos a pessoas: charmosa, elegante, legal, cool, gostosa, simples, sofisticada, fofa. A questão que se coloca para a comunicação de marcas e pessoas é que adjetivos devem ser deduzidos por quem analisa, quem podemos chamar de público alvo. Não adianta declarar um atributo que você imagina que tenha. As pessoas têm que chegar à conclusão que aquele adjetivo lhe define.

Imagine a Angelina Jolie entrando em um local e declarando: “ei pessoal, vocês repararam como eu sou linda?”. Primeiro, não precisa. Depois, todos vão imaginar que tem alguma coisa escondida por trás daquela frase. Vão desconfiar. Ao passo que, se ela ficar quieta e simplesmente (embora isto não seja tão simples assim) exercer a beleza dela, todos no ambiente pensarão: “nossa como a Angelina é bonita”.

Cabe à comunicação de marcas e pessoas exercer atributos que lhe cabem de maneira a pessoas (no B2C) ou empresas (no B2B) chegarem à conclusão de quem têm simpatia por aqueles atributos.

No entanto, a toda hora eu presencio empresas e pessoas que dizerem, verbalmente, por escrito ou com imagens, que têm paixão pelo que fazem, que são inovadoras, que têm foco no cliente, etc, (a lista não tem fim). Não adianta dizer. O José Roberto Arruda disse que o dinheiro da meia era para comprar panetones para os pobres. Ninguém acreditou, porque ele nunca, até porque não dava, exerceu o atributo de honestidade que agora ele é obrigado a dizer que possui.

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One Response to Interagindo com seu público

  1. […] ia acabar por aqui este post, mas assim que finalizei o texto recebi a atualização do blog Um peso duas medidas, do Augusto Pinto. Olha que surpresa boa, o post “Interagindo com seu público”, publicado nesse blog de […]

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